06 de maio de 2026

Governo investe 25 milhões em IA para a Administração Pública. O setor privado ainda está a acordar.

Portugal aprovou a Agenda Nacional de IA 2026-2030 e o Governo compromete 25 milhões para um Centro de Excelência em IA. O Estado está a acelerar. As empresas privadas portuguesas, especialmente as PME, estão a um ritmo bem diferente.

O Conselho de Ministros aprovou a Agenda Nacional de Inteligência Artificial 2026-2030, posicionando a IA como alavanca central para a produtividade e modernização de Portugal. O Governo comprometeu 25 milhões de euros para um Centro de Excelência em IA na Administração Pública, e anunciou vistos acelerados para atrair especialistas internacionais.

Isto significa que o Estado português vai, nos próximos anos, ser um utilizador intensivo de IA. Os serviços públicos vão automatizar processos. A interface com o cidadão vai mudar. E os fornecedores privados que não souberem trabalhar com estas tecnologias vão ter dificuldade em contratar com o Estado.

O sector privado está atrasado em relação ao Estado

Apenas 12% das empresas portuguesas têm a IA verdadeiramente integrada nas operações. A meta do Governo para o fim de 2026 é 20%, que seria apenas a média europeia. Para um país que aprovou uma Agenda Nacional de IA 2026-2030, o sector privado está surpreendentemente parado.

A SAP realizou em abril o SAP Connect Day Portugal com o tema específico da IA como motor de competitividade empresarial. A mensagem foi clara: as ferramentas existem, estão integradas nos sistemas que as empresas já usam, e não adotar representa uma escolha ativa de ficar para trás.

O que isto significa para as PME

Os 25 milhões do Governo não vão para as PME privadas. Vão para a Administração Pública. As PME têm de se mover por conta própria, mas nunca tiveram tantos recursos acessíveis: formação gratuita, aceleradoras regionais com fundos PRR, e ferramentas de IA que custam menos do que um café por dia por colaborador.

A piada de pai: o Estado decidiu finalmente usar a IA. É a primeira vez em anos que o setor público pode estar à frente do privado em tecnologia.