05 de maio de 2026

Só 27% dos arquitetos e engenheiros usam a IA — e os outros 73% estão a acumular um atraso que pode custar caro

O setor de arquitetura, engenharia e construção é um dos que mais tem a ganhar com a IA — e um dos mais lentos a adoptá-la. Novos estudos revelam que quem já usa, usa mais. Quem ainda não começou, fica para trás.

Um estudo da ASCE publicado no final de 2025 revelou um número que devia preocupar toda a indústria AEC: apenas 27% dos profissionais de arquitetura, engenharia e construção utilizam atualmente a IA nas suas operações.

A parte mais preocupante não é esse número. É o que acontece com os 94% desse grupo que afirmam que vão aumentar o uso de IA em 2026. Quem já entrou, está a acelerar. Quem ficou de fora, está a ver a distância aumentar.

O que a IA está a fazer pelo setor AEC

A Allplan, empresa de software para arquitetura e engenharia, documentou em detalhe o que os agentes de IA já estão a fazer nos escritórios que os adoptaram: avaliar construção, custo, performance energética e calendário em simultâneo; gerar propostas de projeto de forma autónoma a partir de um briefing; rever planos e sinalizar inconsistências antes de chegarem ao cliente; e gerir documentação de obra com um nível de detalhe que antes exigia horas de trabalho manual.

A RIBA — o mais prestigiado instituto de arquitetura do mundo — publicou em 2026 um relatório sobre como os arquitetos estão a usar e vão usar a IA, concluindo que a transformação não é sobre substituir a criatividade humana, mas sobre amplificá-la radicalmente. Os profissionais que adoptam a IA não fazem menos — fazem mais, em menos tempo, com menos erros.

O custo de estar fora

Um escritório que usa IA para iterar conceitos, produzir peças desenhadas e gerir documentação está a trabalhar em velocidade diferente de um que não usa. A diferença não é marginal — é estrutural.

No mundo da arquitetura e do design, onde os orçamentos são apertados e os prazos são invariavelmente curtos, a capacidade de produzir mais com a mesma equipa não é um luxo. É uma vantagem competitiva que se vai tornar, rapidamente, o preço de entrada no mercado.